Dividir ou não habitação..eis a questão…
Algumas vezes deixo meu recanto para espairecer e “socializar”, foi assim que fui parar na casa da Raquel no sábado, festa estranha com gente esquisita e eles não estavam legais, alcoolicamente falando, mas ainda assim excluindo os comentários “socialistas utopistas hipocréticos” alguns assuntos renderam algumas reflexões lupinas.
Dentro dos assuntos abordados, deixo de comentar alguns pois reservo-os para ocasião mais oportuna, até mesmo pois irei abordar um tema que tem me afligido nesses dias: “dividir ou não casa”, sempre ouvi dizer que “se você quer acabar com uma amizade ou relacionamento é só ir morar junto”, sempre acreditei mesmo passando pelas péssimas experiências que isso era relativo, mas a cada dia penso que exista um fundo de realidade em todo esse mito, infelizmente intimidade com o tempo se transforma em indiferença, desleixo e comodismo.
O que mais incomoda muitas vezes é a invasão indiscriminada de espaços, a falta de urbanidade, isso acontece muitas vezes mais por culpa de agregados do que dos verdadeiros moradores…infelizmente isso ocorre com uma grande frequência, no início todos aparentem ser lindos e maravilhosos como em todo relacionamento, mas com o passar do tempo a coisa vai se degenerando e tornando a convivência insalubre e insuportável.
Por mais que o benefício financeiro seja tentador, às vezes, sendo mais sincero repenso o custo x benefício todos os dias em especial nos finais de semana, pois se por um lado tenho uma certa segurança financeira, por outro sinto cada dia menos bem-vindo em minha própria casa, pessoas que antes conviviam e conversavam, hoje são estranhos que nem se olham ao cumprimentar, isso quando se cumprimentam…agregados que moram e passam mais tempo em minha casa usufruindo e tomando posse mais do que eu.
Muito embora a situação tenha um início anterior, o clímax se iniciou ao abrir a geladeira e ver que minha Coca-Cola havia acabado, por mais viciado que seja, sei que havia mais de metade da garrafa antes de dormir…acredite…em termos de Coca-Cola sei exatamente quanto resta mesmo que não olhe para a garrafa por meses, mas enfim em minha sede e desejo pelo líquido sagrado fui agraciado com a visão de uma garrafa geladinha na geladeira, mas ao exclamar que não iria ter de deixar a casa para comprar uma nova, fui repreendido “é do Tiago, se você abrir depois vai ter que se entender com ele”, e subitamente me senti acuado diante do choque da realidade, o estranho agregado além de achar que aqui é alguma espécie de albergue, já estava começando a invadir espaços demais.
Tudo bem vir e usar a internet para jogar Cityville, afinal se ele prefere jogar do que aproveitar a namorada, isso é problema sexual deles, mas daí a se jogar deitado na sala, dormir quase que diariamente aqui e ainda fazerem comida só para eles sem oferecer ou perguntar se alguém mais quer, são apenas meros detalhes assim como se isolarem e nos poucos momentos em socializam deliberadamente interagem apenas com a Fernanda ignorando todos os demais presentes, o maior problema é descobrir que para poder ver meus amigos tenho que ir em suas casas pois ninguém suporta o referido agregado.
Maior cúmulo ainda quando digo que meu cartão refeição não passa em mercado e por isso ia almoçar fora e escuto um “e nós?”, respondo que espero elas voltarem do shopping, e a simples tarefa de ir recarregar créditos no celular se torna uma missão de mais de 4horas e uma surpresa, lá vem o agregado indigesto novamente…e tudo acaba em pizza encomendada pela Fernanda pois eles nem para ligar para a pizzaria servem, e se a pizza estava boa, bom a que PEDI estava…sim tive de pedir uma para mim…o nós somente existe quando isso interessa…foi assim que comecei a mudar algumas coisas…não dou oi e nem bom dia mais, cuido da Fernanda como antes e do namorado dela também, os demais são meros co-habitantes da casa, e as compras… bom cada um será responsável pela sua compra, ouvir que a despensa está vazia é a mesma coisa que dizer que irá chover…a boa e velha cara “e daí?”
O fato é de que realmente dividir casa pode ser um paraíso quando se tem uma Fernanda, um pesadelo quando se tem uma Melissa e pior ainda quando se tem dois agregados…por isso pense que se aturar esposa, namorado e etc é complicado, pense que ao menos existe um vínculo que obriga ambos a essa situação e que sempre se dá jeito…há companheirismo e cumplicidade, já habitar uma república…enfim meros desabafos de um lupino em ponto de homicídio duplo culposo.